sexta-feira, 27 de maio de 2011

Eu sou um Santuário de Deus?



  Até pouco tempo atrás, muitos cristãos pensavam na igreja apenas como o templo (no sentido de uma construção feita por homens, dentro da qual se realiza os cultos). Ao perceberem que essa ideia, além de ser contrária a bíblia, estava levando os servos de Deus a serem mais preocupados com a estrutura eclesiástica do que com as vidas dentro da estrutura, alguns irmãos, principalmente das “igrejas” menos tradicionais, começaram a repetir um chavão baseado nos textos de “Atos 7: 46 – 49” e “I Coríntios 3: 16”: Você é a igreja!

    A “nova” interpretação de templo do Espírito Santo, baseada em uma sincera preocupação com o cristianismo, trouxe grandes contribuições para o Reino de Deus. Passou-se a valorizar menos as quatro paredes.
      Porém, além dessa interpretação não ser completa, incentivou outro sentimento entre os crentes em Deus que também trouxe consequências ruins. Os cristãos começaram a se isolar, pois criam que sozinhos tinham a presença de Deus, começaram a perder a ideia de que fazem parte de um coletivo e passaram a ter um sentimento maior de auto-preservação, como se cuidar do templo do Espírito Santo fosse proteger o seu próprio corpo.

Vamos ver onde está o erro de interpretação, a partir de um dos textos citados.

“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (NVI)
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)
I Coríntios 3: 16

     Percebam a diferença do verbo para o adjetivo. Em qual número está verbo? E o adjetivo? Percebam que Paulo fala a vários, classificando-os como uma coisa só.

      Contudo, essa interpretação ainda é um pouco vaga. É apenas um texto e apenas um detalhe. E texto sem contexto, é pretexto.
Por isso, continuaremos andando pela bíblia para nos fundamentarmos melhor.

      Eis então um texto que expressa, além da mesma diferença de número, a ideia de que todos nós, juntos, que formamos O Templo do Espírito Santo:

“É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.” (Versão Católica)
“Nele vocês também estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito.” (NVI)
“No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)
Efésios 2: 22

    Se vocês forem olhar os versículos anteriores a essa afirmação, verão que Paulo, dando uma ideia de como funciona essa estrutura, começa lembrando que fazemos partes de uma única família, que estamos edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas e que Jesus é a pedra angular desse santuário.

“Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor.” [Efésios 2: 19 – 21]

    Ao analisarmos o funcionamento da estrutura, veremos outras afirmações que fortalecem a ideia de que, juntos, formamos um único templo de Deus.

    A primeira coisa que temos que saber, é que Jesus é a pedra angular. A base principal dessa igreja. Tanto é que Cristo disse a Pedro, em “Mateus 16”, que sua afirmação "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" é a pedra sobre a qual o próprio Jesus edificaria sua igreja.

E o fundamento dos profetas e dos apóstolos?

    Os profetas, no Antigo Testamento, eram usados por Deus para levarem sua mensagem ao povo deste (leis, fim dos tempos, alertas, problemas, a vinda do Messias...). Uma das principais mensagens foi dada pelo principal profeta (Moisés): A Lei.
Sabemos, por “Hebreus 10: 1”, que a lei era apenas uma sombra das coisas que ainda estavam por vir. Na verdade, todo o texto de “Hebreus” mostra como a lei foi toda cumprida em Jesus Cristo.

Será que existia na lei algo que simbolizava a igreja que foi iniciada por Jesus?

Nem é preciso lembrar-vos do templo de Israel, não é verdade?
Contudo, as semelhanças não param por aí.
QUANTOS SÃO OS APÓSTOLOS?

Observem o primeiro altar levantado para Deus.

“Moisés, então, escreveu tudo o que o Senhor dissera. Na manhã seguinte Moisés levantou-se, construiu um altar ao pé do monte e ergueu doze colunas de pedra, representando as doze tribos de Israel.” [Êxodo 24: 4]

    Os 12 apóstolos são as doze colunas do verdadeiro Templo de Deus que já foi representado, como sombra, no Antigo Testamento.
Vejamos a confirmação no Novo Testamento:

“Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas...” [Gálatas 2: 9]

E é por isso, que no novo céu e na nova terra, seus nomes estarão nos doze fundamentos da cidade.

“A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” [Apocalipse 21: 14]

    Talvez agora, também consigamos entender a razão de Jesus somente ter escolhido doze apóstolos para sua igreja. Não mais que isso.

     Então não existem outros apóstolos? Não e sim. Da igreja global, só há estes doze: André, Bartolomeu (Natanael), Tiago (Filho de Alfeu), Tiago (Filho de Zebedeu), João, Judas (não o iscariotes), Mateus, Felipe, Simão Pedro, Simão Zelote, Tomé e Matias (substituto de Judas iscariotes, o traidor). Contudo, de igrejas locais, podem existir outros apóstolos. Como foi o caso de Paulo em relação à Corinto:

“Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor.” [I Coríntios 9: 2]

     Lembrando que apóstolo é uma coluna da igreja. Ou seja, sustenta o peso, dá a base e serve de apoio. Não o contrário.

     Bem... Se já vimos que todos nós, juntos, formamos o templo do Espírito Santo, e que nesse templo Jesus Cristo é a pedra principal, e os apóstolos, fundamentados pela ordem dada por Deus por meio dos profetas, são as doze colunas, onde, exatamente, estamos nessa estrutura?
Para responder a essa pergunta, terei que recorrer a Pedro, que, ao mesmo tempo em que confirma o que Jesus disse a ele (Cristo é a pedra principal), também fala sobre o nosso lugar no templo.

“À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo.
Pois assim é dito na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado’.” [I Pedro 2: 4 – 6]

    Reparem que não somos comparados a tijolos, que têm suas formas padronizadas. Somos comparados a pedras, cujos tamanhos e formas são irregulares. E as pedras que somos, assim como a pedra angular, são vivas. Lembrando da importância de sermos um organismo, e não uma organização.

    Talvez Pedro, ao dizer que somos pedras vivas, e que Jesus é a pedra angular, tenha feito isso ao lembrar-se do que Jesus disse a ele:

“E eu lhe digo que você é Pedro (ou pedra – como todos nós somos, segundo o próprio Pedro), e sobre esta pedra (Cristo, o Filho do Deus vivo - segundo o próprio Pedro) edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” [Mateus 16: 18]

      Com isso, já podemos concluir que ninguém, isolado, é templo do Espírito Santo. Juntos, formamos o Santuário de Deus.

“Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles". [Mateus 18: 20]

       Então, quer dizer que Deus não se manifesta através de um cristão se este não estiver na companhia de outro?

Não é isso.
Estou dizendo que Deus se manifestará através de um cristão, sozinho ou acompanhado, se este tiver a consciência de que faz parte de um coletivo.

E é por isso que Jesus nos deixou, como ensinamento de oração, o “Pai Nosso” e não o “Pai Meu”.

Mudemos, então, nossa visão de proteção do templo quando lermos:

“Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” [I Coríntios 3: 17]

Soli Deo Gloria

Por,

Vitor Louredo de Souza - Facebook

domingo, 22 de maio de 2011

600 milhões de pessoas viajam todo ano para manter relações sexuais com menores

(CLARÍN) Em matéria publicada no dia 9 de maio, o jornal argentino Clarín denuncia o turismo sexual, especialmente de crianças e adolescentes em "países com legislação e autoridades permissivas, que fomentam um contexto de impunidade a mediadores e traficantes de pessoas e com ampla parcela da população na indigência".



O texto destaca que muitas crianças chegam aos contextos de turismo sexual infantil (TSI) por meio de redes criminosas que, por vezes, compram ou ganham sua "posse" dos próprios parentes.



"O fluxo de turistas sexuais em busca de meninas e meninos provém sobretudo da Europa Ocidental (Espanha, França, Itália, Alemanha e Bélgica) e países escandinavos, Estados Unidos, Ásia, Austrália e países do Golfo; e se dirige até os países mais pobres do Sudeste Asiático (Tailândia, Camboja, Índia), África e alguns países latinoamericanos (Costa Rica, Brasil, Cuba e México).



O turismo sexual infantil é favorecido pelo maior poder aquisitivo dos viajantes e pelos baixos preços nos países de destino. Associado quase sempre à pedofilia, responde também a consumidores que consideram mais excitantes indivíduos de outros grupos étnicos.



Segundo a Organização Internacional de Migração e Turismo, a cada ano 600 milhões de pessoas, em sua imensa maioria homens, viajam a diferentes destinos do mundo para manter relações sexuais com menores de idade" (trecho traduzido da nota original).



O combate ao abuso sexual infantil é assunto em voga. Nesta quarta, 18 de maio, doze cidades brasileiras farão parte da Marcha contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, movimento organizado por redes e organizações evangélicas como parte da Campanha de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Turismo, liderada pela RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social). A iniciativa visa destacar o aumento do risco de o problema se intensificar com a chegada da Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014.

Fonte - http://www.ultimato.com.br/conteudo/600-milhoes-de-pessoas-viajam-todo-ano-para-manter-relacoes-sexuais-com-menores

sexta-feira, 13 de maio de 2011

PRECONCEITO

Precisamos acabar com o preconceito em nossas igrejas e aceitarmos que o outros são diferentes de nós!




Jesus aceita o diferente!

Que preconceito nada irmão! Você está maluco?! A igreja tem aceitado todo tipo de pessoas de braços abertos! O alcóolatra, a prostituda, o viciado, o homossexual, o tatuado, a garota cheia de piercings, o boca suja, a lésbica, a divorciada, o estressado ou nervoso, o jovem problemático e rebelde, e são todos bem-vindos em nossa igreja!!! ALELUIA!!! Com licensa que vou rir um pouco, huahuahuuhaaaa… Com muitas exceções, e igrejas e ministérios onde o poder do Espírito Santo domina, definitivamente não são pessoas bem vindas em muitas de nossas igrejas, e isto se manifesta onde? Aonde? Em nossos corações, através do sentimento chamado “PRECONCEITO”. Não podemos e nem compactuamos com pecado, é claro, mas a obra de convencimento do pecado, da justiça e do juízo não é nossa, é do Espírito Santo, não podemos enfiar goela abaixo o evangelho como ouço histórias e aberrações sendo cometidas por uma possível defesa de “JESUS” e do evangelho e de mudança de comportamento para que o outro possa parecer um pouco conosco. Bem voltando ao assunto, a Wikipedia e um dicionário de filosofia definem bem a palavra “PRECONCEITO”:



Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente.

Conceito formado com base em julgamento próprio que exige tom depreciativo da diferença; análise tendenciosa; discriminação provocativa

Definido aqui como um julgamento prévio rígido e negativo sobre um indivíduo ou grupo, o conceito deriva do latim prejudicium, que designa um julgamento ou decisão anterior, um precedente ou um prejuízo. As anotações básicas incluem inclinação, parcialidade, predisposição, prevenção.

Ou seja o preconceito não é nada mais, nada menos que um julgamento depreciativo de alguém, opa, vamos lembrar do que Jesus falou: “Não julgais para não serdes julgados”. Porque o ministério de Cristo era tão impactante através de relacionamentos e pela pessoa de Cristo levar homens e mulheres a abrirem o coração para Deus?! JESUS NÃO TINHA PRECONCEITO com quem fosse até ele! E é tão engraçado como através dos anos observei que muitos irmãos e irmãs depois de alguns anos de evangelho se sentem os próprios donos da igreja, se é que dá para dizer a igreja tem dono, é claro que o dono e proprietário é Cristo. Mas se eu como mordomo ou “possivelmente” um dos donos da casa não desejo que outrem faça parte de minha família, ou entre na minha casa porque ela é diferente de mim, posso facilmente enxotá-la com a vassoura de “fogo” pois ela é digamos “diferente” de mim ou não se encaixa no perfil de minha igreja ou de meus irmãos. Por isso não me importo, e nunca


Jesus aceita o diferente

me importei se não me encaixo nos padrões daquilo que as pessoas acham que deve ser um homem ou uma mulher de Deus, pois apenas Deus e somente Ele pode saber as verdadeiras intenções de quem é puro e verdadeiro, e de quem é impuro e mentiroso. Acho válido os grupos dentro das igrejas, o que não é válido é abandonar a própria sorte do vil tentador aquele irmão ou irmã que não se encaixa em meu grupo. A igreja é chamada na palavra de multiforme sabedoria de Deus, se der chance ao diferente ele poderá mostrar também que é uma das muitas formas de sabedoria de Deus.



Não seja preconceituoso, aceite que o outro é diferente, e que mesmo diferente de você, Cristo o ama do mesmo modo que te ama!



Jo. 13- 34 Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros.



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sábado, 30 de abril de 2011

JOVENS EM APUROS

O pastor Marcelo Gualberto, da MPC, analisa a juventude evangélica brasileira



A juventude, nas igrejas evangélicas, sempre foi vista como sinônimo de dinamismo e disposição para a obra de Deus. Há coisa de uns 20 ou 30 anos, moços e moças crentes, empolgados com a fé, desejavam mudar o mundo pelo Evangelho – a começar pela própria casa, escola e amigos. Não eram poucos os que apresentavam-se como candidatos a missionários. Novos tempos, novas prioridades. Hoje, a moçada crente – que continua sendo maioria na membresia das igrejas – está mais preocupada com outras coisas. A satisfação das próprias necessidades e desejos, o consumo, a preocupação em estabelecer logo uma carreira e conquistar a independência financeira é o que tem movido os jovens de hoje.


A análise é do pastor Marcelo Gualberto da Silva, 48 anos, diretor nacional da Mocidade para Cristo (MPC), uma entidade paraeclesiástica que se tornou referência para a juventude evangélica brasileira. Pode-se dizer que Marcelo e a MPC confundem-se um com o outro, já que o pastor está ligado à entidade desde que tinha 16 anos de idade. Casado, três filhas jovens, o pastor é formado em teologia e letras e pós-graduado em recursos humanos e exerce ainda o pastorado da Congregação Presbiteriana Central de Belo Horizonte (MG), cidade onde fica a sede da MPC.


É da capital mineira que a entidade, reconhecida como de utilidade pública federal, coordena e executa uma série de atividades, como o programa Estudantes em Ação, de evangelismo em escolas; o Projeto Amar, voltado para crianças e adolescentes carentes; e o Desperta Débora, movimento de mães intercessoras, uma rede de mulheres que oram sistematicamente por seus filhos e pela juventude brasileira. Há ainda trabalhos de orientação profissional, prevenção de gravidez precoce, acampamentos temáticos etc.


Uma das figuras mais conhecidas entre os evangélicos brasileiros – ele roda o país inteiro participando de congressos, dando palestras e organizando eventos –, Marcelo não tem dúvidas: a Igreja mudou para pior, e levou o jovem evangélico de roldão no mesmo processo.


“Esta é uma geração que perdeu a sua identidade. O compromisso com Deus e o senso de missão perderam-se pelo caminho”, aponta. O hedonismo, na opinião do pastor, entrou para valer na Igreja. “A ênfase está no prazer, no sentir-se bem, no ser abençoado.” Estas e outras críticas à situação da mocidade evangélica estão nesta entrevista:






Uma pesquisa divulgada mês passado aponta que, nos últimos 10 anos, o número de mortes violentas de pessoas entre 15 e 24 anos subiu 95%. Cerca de 60% das mortes nesta faixa de idade são causadas por asssassinato. Ser jovem, no Brasil, é estar num grupo de risco?


Acredito que sim. Esses números falam por si. Vivemos num mundo jovem, onde 65% da população mundial têm menos de 25 anos. Só que milhões vivem na pobreza, na miséria absoluta. Isso acarreta necessidades que, por sua vez, geram violência. E a violência chama mais violência e, conseqüentemente, riscos de morte. Também não podemos deixar de observar o fator escatológico nesse processo. O próprio Jesus disse que no fim dos tempos, filhos se levantariam contra pais, e vice-versa. É o que temos visto – a violência contra os da própria casa também é um sinal da volta do Senhor.






Qual sua análise sobre a juventude de hoje?


A juventude, principalmente a de classe média, é uma juventude sem grandes sonhos. Falta visão e discernimento do momento presente. É uma geração consumista e hedonista. O jovem hoje quer conseguir aos 20 anos o que seus pais só conseguiram aos 45 ou 50 anos. É a mentalidade “capetalista” do ter e do prazer a qualquer preço, aqui e agora.






Na sua opinião, quais deveriam ser as políticas públicas emergenciais a serem adotadas em favor da juventude?


A primeira tem a ver com a educação. É revoltante pensar que educação, no Brasil, gera lucro, assim como a saúde. Isso quando ambas, educação e saúde, deveriam ser prioridades máximas em todos os níveis de governo, do municipal ao federal. Ninguém poderia se enriquecer como empresário no ramo da educação. Bem, em segundo lugar o governo precisaria, a curto prazo, tirar das ruas os meninos e meninas que fazem dos viadutos e pontes as suas casas. Outro dia vi um coronel, comandante do corpo de bombeiros em São Paulo, que “adotou” cerca de 12 adolescentes. Eles recebem alimentação, roupa, ensino e instrução profissionalizante dentro do quartel. Estão felizes, amparados, protegidos e desafiados a se tornarem futuros bombeiros. Pense em quantos quartéis com espaço ocioso temos no Brasil e como seria fácil e barato investir em adolescentes carentes. O que falta é vontade política do governo.






Juventude, na Igreja Evangélica, sempre foi vista sob o prisma do dinamismo, inclusive na obra de Deus. Houve época, por volta dos anos 70, em que o furor missionário da moçada estava no auge. Hoje, quais são as perspectivas do jovem crente?


É fato que, embora a Igreja tenha crescido numericamente, em termos qualificativos nós perdemos muito. Esta é uma geração que perdeu a sua identidade. O que somos? Na década de 60, éramos protestantes. Nos anos 70, éramos crentes. Nos anos 80, éramos evangélicos. De 90 pra cá, somos gospel. O que é ser “gospel”? Com relação a juventude evangélica, na década de 70, realmente, havia muito mais compromisso, visão e senso de missão encarnado.






E por que isso mudou?


Porque naquela época, ao contrário de hoje, a ênfase não era no prazer, e sim no senhorio de Cristo. Só que a ênfase passou do cristocentrismo para o egocentrismo, ou seja, as reuniões, os cultos são feitos em função do homem. O objetivo é sentir-se bem, que é quase um sinônimo de ser abençoado. Esta é uma tendência quase que geral da Igreja Evangélica como um todo que precisa ser mudada. As perspectivas do jovem crente hoje estão voltadas para ele mesmo. É claro que há exceções, e não são poucas. Mas no geral, a Igreja Evangélica hoje é conformista e voltada para o próprio umbigo.






Mesmo assim, a Igreja Evangélica cresce como nunca...


Mas então como explicar o crescimento da Igreja e a sua inoperância como sal e luz? Ou, dizendo em outras palvras: por que a Igreja cresce e o Brasil não melhora? Vivemos um evangelho raso onde Jesus é um Senhor fácil de ser seguido e também fácil de ser deixado. Basta o pastor pregar uma mensagem um pouco mais dura ou pesada que muitos reclamam à moda antiga: “Duro é esse discurso; quem o pode suportar?” Por causa disso nasceu a “igreja flutuante”, que navega à procura da bênção, pulando de galho em galho. É um fenômeno que observo entre a mocidade. Virou moda mudar de denominação. Quantos jovens já estão na quinta ou na sexta igreja?






A vocação missionária tem crescido entre os jovens?


Muito pouco. É aquilo que já dissemos – o evangelho pregado hoje é mais voltado para o bem-estar de pessoas do que para a transformação do mundo. Mas graças a Deus por alguns que, com coragem, têm encarado o desafio da evangelização local e transcultural.






Um novo perfil social, o do “adolescente adulto” – gente que, mesmo com mais de 30 anos, apresenta um comportamento imaturo –, é cada vem mais comum hoje. Entre os crentes, o fenômeno se repete?


Outro dia estava pregando num congresso para adolescentes e me assustou o fato de ver ali dezenas de adolescentes de 22, 24, 25 anos. A questão é a seguinte: dá status ser adolescente. Há 20 ou 30 anos, ao contrário, era vergonhoso ser adolescente. Foi daí que surgiu aquele termo pejorativo – “aborrecente”. Hoje, não. O mundo dá um valor enorme a essa grande força de consumo representada pelo público adolescente. Todo mundo quer, de alguma maneira, ser ou continuar sendo adolescente. Isso afeta a muitos evangélicos também, inclusive pessoas de até 40 ou 50 anos. Para serem aceitos, muitos adotam um estilo adolescente de viver a vida.






Existe conflito de gerações na família evangélica?


Conflito de gerações acontece em quase todas as famílias, sejam elas cristãs ou não. É uma questão de mentalidade. Nós, os pais, precisamos pensar com a cabeça dos filhos, ou seja, tentar sentir suas dores, angústias e sofrimentos. Nós, os mais velhos, não podemos desprezar a nossa própria juventude. Quando trazemos à memória os anos dourados da adolescência, conseguimos criar uma ponte capaz de nos unir à geração dos nossos filhos.






O senhor acha válido promover eventos, como festivais gospel, para atrair jovens à igreja?


Olha, eu faço minhas as palavras do apóstolo Paulo em I Coríntios 9.22: “Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns”. Eu entendo que todo método, desde que não caia em contradição com a Palavra de Deus, é válido e deve ser usado no ministério juvenil.






O sexo continua sendo a grande dificuldade espiritual para o jovem crente?


Pelo que tenho visto ao longo de todo este tempo de trabalho entre a juventude, sim. Esta é a área mais difícil na vida de um jovem cristão. Manter-se virgem até o casamento é motivo de piada na escola. Às vezes, a pressão é tão forte que o jovem cristão, mesmo querendo agradar a Deus, não suporta e fraqueja nessa área. Há ainda a pressão da mídia, que é muito forte. Entretanto, devemos nos lembrar que Deus é fiel e não nos abandonará à nossa própria sorte. Ninguém é tentado acima das suas próprias forças. Toda tentação é acompanhada do escape de Deus. Neste caso, vale lembrar a palavra de I Coríntios 10.13.






Defender a virgindade até o casamento está cada vez mais anacrônico, não?


A palavra-chave para o solteiro é abstinência sexual. E, para o casado, fidelidade. Isso não mudou.






Carlos Fernandes


é Editor e Redator da revista Eclésia

















quinta-feira, 28 de abril de 2011

BEM VINDO A IGREJA

“Vinde a mim os que estão cansados e sobrecarregados e eu os aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde coração; e achareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” Mt. 1: 28 a 30.


A Igreja tem que ser a resposta para os anseios desse individuo cansado e oprimido. Se no mundo há competição, a Igreja deve ser cheia de cooperação, se no mundo há perda de identidade, na igreja deve haver pleno auto conhecimento, se no mundo há solidão, na Igreja deve haver amor.

Na Igreja a pessoa deve ser valorizada pelo que é.

A Igreja tem se tornado um hospital neurótico onde o paciente não tem liberdade e ambiente para falar da sua de sua doença. “Você é bem vindo ao hospital desde que não fale de sua doença”

A Igreja é um lugar terapêutico, de restauração, de cura, onde as pessoas podem ser transparentes e amadas como são.

A Igreja deve estar cheia do poder de Deus para enfrentar principados e potestades, dominadores desse mundo tenebroso. A Igreja deve ser lugar de libertação, perdão de pecados.

A Igreja deve ser sal para evitar por completo a deterioração da sociedade, sendo referência de justiça, bondade, honestidade, serviço, qualidade e ética.

A Igreja deve ser luz do mundo em uma ação profética, partindo para denuncia, pregação, convocação ao arrependimento do pecado estrutural

ESSA É A SUA IGREJA?

EPI

sábado, 16 de abril de 2011

REALENGO

POR CONTARDO CALLIGARIS




1) EM MARÇO de 2009, em Wendlingen, Alemanha, um jovem de 17 anos entrou no colégio do qual ele tinha sido aluno e começou uma matança que terminou com seu suicídio e custou a vida a 15 pessoas.



Na época, notei que, para os suicidas-assassinos de massa, encarnar o anjo da morte é sempre uma demonstração pública. E perguntei: uma demonstração de quê?





Pois é, num mundo dominado por máscaras e aparências, talvez os únicos eventos que se destaquem por serem indiscutivelmente reais sejam o nascimento e a morte. Nessa ótica, as meninas, para nos obrigar a levá-las a sério, podem engravidar e dar à luz. Quanto aos meninos, o que lhes sobra para serem levados a sério é morrer ou matar.



Por isso as meninas pensam no amor, e os meninos, na guerra; as meninas sonham em ser mestres da vida, os meninos sonham em ser mestres da morte.



Em suma, atrás da singularidade das razões de cada um, os suicidas-assassinos (todos homens) parecem agir na tentativa desesperada de se levarem a sério e de serem, enfim, levados a sério: “O mundo me despreza e me desprezará mais ainda, mas, diante de meu ato mortífero, não poderá negar que sou gente grande, um “macho de respeito’”.



Mais um detalhe. Cada vez mais, a preservação da vida parece ser nosso valor supremo. Todos estão dispostos a qualquer coisa para não morrer; não é estranho que, de repente, aos olhos de alguns, a verdadeira marca de superioridade pareça ser a facilidade em matar e se matar.



2) É possível que a vida escolar de Wellington, o assassino de Realengo, tenha sido um suplício. Mas a simples vingança pelo bullying sofrido não basta para explicar seu ato. Eis um modelo um pouco mais plausível (e infelizmente comum).



Durante sua adolescência, um jovem é zombado pelos colegas e, sobretudo, pelas meninas que despertam seu desejo. Para se proteger contra a recusa e a humilhação, o jovem se interdita o que ele deseja e que lhe está sendo negado: “As meninas que eu gosto riem de mim e de meu desejo por elas; para não me transformar numa piada, farei da necessidade virtude: entrarei eu mesmo em guerra contra meu desejo. Ou seja, transformarei a exclusão e a gozação num valor: não fui rechaçado, eu mesmo me contive -por exemplo, porque quero me manter ilibado, sem mancha”.



Wellington, o assassino de Realengo, na sua carta de despedida, pede para não ser contaminado por mãos impuras. Difícil não pensar no medo de ele ser contaminado por suas próprias mãos, e no fato de que a morte das meninas preservaria sua pureza, libertando-o da tentação.



A matança, neste caso, é uma maneira de suprimir os objetos de desejo, cuja existência ameaça o ideal de pureza do jovem. Ora, é graças a esse ideal que ele transformou seu fracasso social e amoroso numa glória religiosa ou moral. Como se deu essa transformação?



Simples. Para transformar os fracassos amorosos em glória, o fanatismo religioso é o cúmplice perfeito. Funciona assim: você é isolado? Sente-se excluído da festa mundana? Pois bem, conosco você terá uma igreja (real ou espiritual, tanto faz) que lhe dará abrigo; ajudaremos você a esquecer o desejo de participar de festas das quais você foi e seria excluído, pois lhe mostraremos que esse não é seu desejo, mas apenas a pérfida tentação do mundo. Você acha que foi rechaçado? Nada disso; ao contrário, você resistiu à sedução diabólica. Você acha que seu desejo volta e insiste? Nada disso, é o demônio que continua trabalhando para sujar sua pureza.

Graças ao fanatismo, em vez de sofrer com a frustração de meus desejos, oponho-me a eles como se fossem tentações externas. As meninas me dão um certo frio na barriga? Nenhum problema, preciso apenas evitar sua sedução -quem sabe, silenciá-las.

Fanático (e sempre perigoso) é aquele que, para reprimir suas dúvidas e seus próprios desejos impuros, sai caçando os impuros e os infiéis mundo afora.



Há uma lição na história de Realengo -e não é sobre prevenção psiquiátrica nem sobre segurança nas escolas. É uma lição sobre os riscos do aparente consolo que é oferecido pelo fanatismo moral ou religioso. Dito brutalmente, na carta sinistra de Wellington, eu leio isto: minha fé me autorizou a matar meninas (e a me matar) para evitar a frustrante infâmia de pensamentos e atos impuros.



[Folha de S.Paulo, Ilustrada, 14 de abril]